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Aldeia Kumenê recebe Oficina de Criação com Madeira Reaproveitada

Entre os dias 12 e 19 de julho de 2025, será realizada, na Aldeia Kumenê, no município de Oiapoque (AP), a Oficina de Criação com Madeira (Re)Aproveitada, voltada à capacitação de artesãos indígenas no reaproveitamento de resíduos de madeira oriundos da produção de peças maiores, como bancos cerimoniais. A ação integra o projeto Energia Limpa, Vida Sustentável, que articula soluções energéticas descentralizadas, valorização de conhecimentos técnicos e científicos indígenas e a promoção de economias de base comunitária em territórios indígenas do Baixo Oiapoque, sob a coordenação da Dra. Elissandra Barros, da Universidade Federal do Amapá; Dra. Lílian Rebellato, da Universidade Federal do Oeste do Pará; e Dra. Artionka Capiberibe, da Universidade de Campinas.

A Oficina de Criação será ministrada pelas pesquisadoras associadas, Marília Giesbrecht; Keyla Palikur; e pelas coordenadoras Elissandra Barros e Artionka Capiberibe na Aldeia Kumenê (Oiapoque) e irá consolidar a continuidade do Eixo do Projeto dedicado ao fomento das cadeias  produtivas de artesanato, principalmente vinculadas a cerâmica e madeira. De acordo com a coordenação, o objetivo é fortalecer tanto a transmissão de saberes quanto às competências manuais e a capacidade de integrar ferramentas elétricas de precisão — serras circulares, tupias e lixadeiras — contribuindo para a autonomia técnica e econômica dos artesãos. “A ideia é reaproveitar madeiras que são de poda ou de peças artesanais maiores para produzir peças de madeira menores como biojóias, colares, brincos, pulseiras ou mesmo peças que podem ser aproveitadas e utilizadas em outros tipos de artesanato, como cerâmica, cestaria ou têxteis. A ideia principal é cortar, colar madeiras diferentes, fazendo marchetaria, uma técnica de acabamento que deixa as coisas naturais e que pode agregar bastante valor às peças. Para isso, propomos levar algumas ferramentas elétricas manuais básicas de marcenaria, visando desenvolver as peças em marchetaria”, explica Marília Giesbrecht, uma das pesquisadoras convidadas.

Ainda de acordo com a coordenação do projeto, este módulo articula-se diretamente com a Oficina de Cerâmica, promovida pelo Projeto em Santarém, no mês de abril. “A proposta da oficina é ampliar as possibilidades de produção artesanal com base em madeira, valorizando os conhecimentos já existentes nas comunidades e introduzindo ferramentas que facilitem o trabalho. Segundo a equipe do projeto, a iniciativa será desenvolvida em duas etapas. Na primeira, os artesãos que já dominam técnicas tradicionais — especialmente entre os Palikur-Arukwayene — serão orientados no uso de ferramentas elétricas, como serras e lixadeiras. O objetivo é tornar o processo mais ágil e ergonômico, ao mesmo tempo em que se aprimoram as técnicas já praticadas cotidianamente. Na segunda etapa, o foco será o reaproveitamento de resíduos madeireiros, como sobras de peças maiores ou madeira de poda disponível no território. A oficina não envolve o corte de novas árvores: todo o material utilizado já se encontra acessível nas aldeias. A ideia é transformar esse recurso em novas possibilidades de geração de renda, como a produção de biojoias — colares, brincos e pulseiras — ampliando as oportunidades, sobretudo para as mulheres artesãs”, detalha Elissandra Barros, uma das coordenadoras do projeto.

A escolha de Kumenê não é casual, trata-se da principal aldeia dos Palikur-Arukwayene, povo com histórico de produção artesanal em madeira e, ao mesmo tempo, beneficiário das atividades de levantamento energético e onde também estão previstas instalações das placas fotovoltaicas.

Reaproveitamento – Os sobrantes dos bancos serão utilizados para trabalhar técnicas de escultura e entalhe, ampliando a diversidade de artefatos e incentivando o uso consciente dos recursos naturais. Aqui, a energia elétrica surge como ferramenta de inovação e promoção da autonomia produtiva e também como elemento de apoio à independência produtiva das comunidades envolvidas.

A metodologia irá combinar módulos de instrução teórica sobre segurança elétrica e manutenção de equipamentos, demonstrações práticas de corte, entalhe e acabamento, e sessões de co-design com protótipos de artefatos e biojoias. Ao final, cada participante entregará uma peça assinada e documentada em vídeo, contribuindo para o Acervo Digital do Projeto.

A ação é parte do projeto Energia Limpa, Vida Sustentável, desenvolvido no âmbito da Iniciativa Amazônia +10, com o financiamento da FAPEAP, FAPESP, FAPESPA, e executada pela Unifap, Ufopa e Unicamp.

Sobre o projeto “Energia Limpa, Vida Sustentável”

O Projeto Energia Limpa, Vida Sustentável visa promover a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico nas comunidades indígenas por meio do uso de energia renovável. A iniciativa busca não apenas fornecer energia limpa, mas também fortalecer as cadeias produtivas de artefatos locais, contribuindo para a autonomia e preservação cultural das comunidades.

O projeto atenderá a demanda de indígenas do Baixo Oiapoque – Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi – além das Terras Indígenas nas regiões Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Trombetas, localizadas na área da Calha Norte.

Sobre a iniciativa Amazônia +10

A Amazônia +10 é uma iniciativa do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e do Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O programa apoia projetos que promovem a sustentabilidade e o desenvolvimento socioeconômico na região amazônica. 

SERVIÇO

O quê? Oficina de Criação com Madeira Reaproveitada.

Quando? 12 de julho a 19 de julho de 2025.

Onde? Aldeia Kumenê, Terra Indígena Uaçá, Oiapoque (AP).

Público-alvo: A oficina é voltada exclusivamente aos representantes dos povos indígenas do Baixo Oiapoque.

Contato: Gabriel Baena, tel: 93-992363235

Realização: Projeto Energia Limpa, Vida Sustentável

Edital: Iniciativa Amazônia +10

Financiamento: FAPEAP, FAPESPA, FAPESP

Execução: Unifap, Ufopa, Unicamp

Instagram: @projeto.energialimpa

Texto: Divulgação