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Antônio Sabino e Amanda Fecury tomam posse na Reitoria da Unifap

Os discursos da cerimônia convergiram em um ponto: a universidade pública precisa manter sua capacidade de produzir conhecimento, formar cidadãos e participar das decisões que definem os rumos do Amapá.

A manhã desta sexta-feira (30) reuniu, no anfiteatro da Universidade Federal do Amapá (Unifap), representantes da comunidade científica, autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e integrantes da comunidade acadêmica para a cerimônia de posse do reitor eleito, Antônio Sabino, e da vice-reitora, Amanda Fecury, que estarão à frente da instituição no período de 2026 a 2030.

A solenidade foi marcada por discursos que destacaram o papel da universidade pública no fortalecimento da democracia, na produção científica e no desenvolvimento regional. A conjuntura política nacional também esteve presente nas manifestações, especialmente diante da disputa eleitoral recente entre dois projetos distintos de país, um deles associado ao negacionismo e às ameaças de cortes no financiamento da educação e da ciência.

Em seu pronunciamento de posse, Antônio Sabino ressaltou que a universidade pública tem uma função que vai além da formação profissional. “As universidades públicas são fundamentais para a democracia. São espaços de liberdade intelectual, pluralismo e produção de conhecimento crítico”, afirmou. Para ele, a Unifap precisa participar ativamente das discussões que envolvem o futuro do estado, especialmente diante das transformações econômicas, sociais e ambientais previstas para a região.

Ao abordar a exploração de petróleo na margem equatorial, Sabino destacou que o tema coloca o Amapá diante de uma das questões mais estratégicas para seu desenvolvimento. Segundo o reitor, o debate envolve oportunidades econômicas e desafios socioambientais que exigem a participação da comunidade científica. “A Unifap não pode ser mera espectadora desse processo. Precisamos contribuir com tecnologia, ciência e formação profissional”, defendeu.

A vice-reitora Amanda Fecury também destacou a importância da universidade pública em sua trajetória profissional e pessoal. Fecury externou o compromisso de ampliar o alcance do conhecimento produzido na instituição. “Sou fruto de universidade pública e aprendi que o conhecimento abre caminhos, amplia horizontes e transforma vidas”, declarou. Ela ressaltou que esse conhecimento não deve ficar restrito às salas de aula, laboratórios e grupos de pesquisa, mas dialogar com os saberes dos territórios, das comunidades tradicionais, dos povos e da diversidade cultural e humana da região.

A transição de gestão foi exercida pela agora ex-vice-reitora, Ana Cristina Maués. Ao destacar que cada administração contribui para a construção da história institucional, ela desejou que o novo período seja de continuidade, de diálogo e realizações. “Nós, que hoje saímos, queremos que os próximos anos sejam marcados por entendimentos, responsabilidades e novas conquistas que certamente virão”, afirmou.

Universidade pública e democracia

Egresso do curso de Enfermagem da Unifap, o deputado federal Dorinaldo Malafaia, líder da bancada federal do Amapá, destacou a influência da universidade em sua formação pessoal e política. Em seu discurso, lembrou que a instituição foi determinante para a construção de valores que orientam sua atuação pública. “Aqui foi onde aprendi valores importantes relacionados ao debate democrático, a perceber a realidade para além de individualidades e respeitar opiniões divergentes”, disse.

Representando o presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Randolfe Rodrigues também relacionou a posse ao momento político vivido pelo país. Ele chamou atenção para manifestações recentes em defesa das universidades públicas, gratuitas e de qualidade. Segundo o senador, entre os cartazes exibidos nas mobilizações populares, muitos expressavam preocupação com a preservação dessas instituições.

Ao se dirigir aos novos gestores, Randolfe destacou o desafio de assegurar que a Unifap cumpra sua missão como universidade pública, sustentada pelo tripé ensino, pesquisa e extensão. Para ele, essas três dimensões precisam caminhar juntas e orientar as decisões da nova administração.

O governador do Amapá, Clécio Luís, que também é egresso de uma das primeiras turmas de graduação da Unifap, ressaltou a relação entre a universidade e o desenvolvimento do estado. Ao mencionar os avanços na parceria entre o governo estadual e as instituições de pesquisa, destacou a publicação de editais de incentivo à iniciação científica e o investimento milionários em chamadas públicas voltadas a pesquisadores.

Com Antônio Sabino na Reitoria e Amanda Fecury na Vice-Reitoria, a Unifap inicia o mandato 2026-2030 diante do desafio de fortalecer sua estrutura acadêmica, ampliar a produção científica e aprofundar o diálogo com a sociedade.

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